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Ulex europaeus L. 
Nomes Comuns: Tojo

Familia: Fabaceae
Origem: Europa Ocidental

Descrição e Fenologia da Espécie
Arbusto de 1 a 3 metros de altura, muito ramoso com ramos espessos, ereto, todo recoberto de espinhos. Flores amarelas grandes presentes na maior parte do ano. Vagem oval com 4 a 6 sementes dentro que podem ser dispersadas pela ação dos ventos.Reprodução preferencial por sementes, podendo ocorrer por brotação das touceiras roçadas ou arrancadas sem remoção das raízes. Sementes têm viabilidade no solo por mais de 30 anos.Ainda jovens, as plantas desenvolvem raízes vigorosas, tornando-as aptas a dominarem ambientes degradados com rapidez.

Ecologia da Espécie
Tem preferência por clima frio com média a alta precipitação. Não sobrevive em elevadas altitudes com temperaturas muito altas ou muito baixas ou em terras áridas. Seu melhor crescimento acontece em terrenos bem drenados. A temperatura, bem como o fotoperíodo, são fatores limitantes para sua distribuição. Dias muito curtos impedem a floração e a formação de touceiras. Enquanto jovem é sensível à geada, tornando-se resistente à medida que atinge a maturidade. Ainda assim, observa-se que floresce em pleno inverno no Paraná, a altitude de 900 metros.O tojo não é limitado por tipo de solo, podendo ser encontrado em solos arenosos ou argilosos, o que inclui florestas ripárias, campos e florestas abertas (Holm et al. 1997).

Ambientes Preferenciais Para Invasão
Adapta-se com facilidade a diferentes ambientes, especialmente ecossistemas abertos como campos e cerrados, pastagens e áreas degradadas. Pode ser encontrado em solos arenosos a argilosos, inclusive em florestas ripárias (vegetação ciliar), campos e florestas abertas.

Ocorrências Conhecidas
O tojo constitui atualmente um dos problemas mais sérios dos Parques Nacionais de Aparados da Serra, Serra Geral e de São Joaquim, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, nos campos de cima da serra. Está igualmente estabelecido nos campos do Paraná e de Santa Catarina, assim como ao longo de rodovias e em várzeas de rios na Floresta Ombrófila Mista, havendo sido registrada em Curitiba e São José dos Pinhais.É considerada uma das plantas invasoras mais problemáticas na Nova Zelândia, na Austrália, na África do Sul e nos Estados Unidos (Califórnia e Havaí).

Impactos
Forma densas touceiras que restringem a locomoção de animais (principalmente mamíferos), reduz a disponibilidade alimentar para a fauna por eliminação da vegetação nativa e aumenta o risco de incêndios devido às folhas e sementes extremamente oleosas e à abundância de matéria orgânica depositada. Além de aumentar o risco de incêndio, produz chama de temperaturas mais altas, eliminando a vegetação nativa (MACCARTER & GAYNOR, 1980).Os principais impactos atribuídos à invasão do tojo são dominância absoluta sobre espécies nativas, expulsão das espécies nativas do ambiente e conseqüente perda de biodiversidade; exposição do solo e suscetibilidade do mesmo à erosão; redução da disponibilidade alimentar para a fauna e impedimento físico à circulação da fauna e humana. A capacidade de brotação vegetativa, a longevidade das plantas e das sementes no solo (mais de 30-50 anos) dificultam o controle e a possibilidade de erradicação e restauração do ambiente à condição natural.

Manejo e Controle
Apresenta colonização lenta, contudo, depois de disseminada, seu controle se torna extremamente complicado. Seja pelo resistente banco de sementes ou pela capacidade de se desenvolver rapidamente em solos degradados, esta planta necessita de controle imediato, eficaz e definitivo sem que haja comprometimento da flora e fauna nativas. Para tanto, existem algumas técnicas de controle que devem ser muito bem planejadas e executadas, de forma a respeitar o ambiente natural.

Controle mecânico: Para pequenas infestações o controle mais indicado é mecânico, fazendo-se a remoção completa da planta, desenterrando e removendo toda a parte aérea e o sistema radicular. Após a retirada de todas as plantas a área deve ser revisada periodicamente para remoção das novas plantas que germinam do banco de sementes ou de brotamento de raízes não removidas. Deve-se realizar imediata semeadura de espécies nativas para colonização e restauração do ambiente original.

Controle químico: Em áreas maiores, onde o controle mecânico se torna inviável, emprega-se técnicas de controle químico. Toda prática de controle químico requer uso de equipamento adequado e material de segurança, como luvas e máscaras. Em caso de remoção de plantas adultas, deve ser feita aplicação com pincel nos tocos, no momento do corte, com herbicida. O melhor produto é Garlon 4, porém de mais difícil disponibilidade no Brasil. Caso não encontre, utilize Tordon diluído a 7% em água. O corte dos troncos deve ser feito o mais rente possível ao solo.Plantas pequenas e rebrotas, ainda de pequeno tamanho (entre 15 e 30 cm), devem sofrer aspersão com glifosato diluído em água a 2%. O acompanhamento deve ser constante, dada a vitalidade e rapidez de crescimento da espécie. Em áreas extensas totalmente dominadas pela espécie é prática comum a aspersão com glifosato, especialmente quando não há mais plantas nativas que possam ser afetadas.

Controle Biológico: Diversas experiências de controle biológico foram realizadas na Nova Zelândia. São exemplos de sucesso no país a introdução da espécie Apion ulicis, cujas fêmeas furam e depositam, nas vagens de Ulex europaeus, ovos que germinam pequenas larvas, durante os períodos de primavera e verão. Essas larvas passam a alimentar-se das sementes. Depois que as larvas adultas saem das vagens, hibernam durante o outono e inverno, tornando-se adultos aptos a perpetuar a espécie no verão. Em algumas áreas da Nova Zelândia, essa espécie chegou a destruir cerca de 99% da produção de sementes durante o florescimento de Ulex europaeus na primavera e no verão. Apion ulicis, que tem apenas uma geração por ano e atua apenas nas duas estações quentes, é utilizado em conjunto com Cydia succedana, espécie de mariposa que deposita seus ovos na superfície das vagens do tojo. As larvas penetram no interior da vagem e alimentam-se das sementes. Cydia succedana tem duas gerações por ano coincidentes com os picos de florescimento do tojo. Na primavera e verão destrói, juntamente com Apion ulicis, de 90 a 100% da produção de sementes e, sozinha, 20% da produção de sementes do outono e inverno. A mariposa Agonopterix ulicetella também é utilizada para controle biológico. Passado o período de uma ou duas semanas de germinação do ovo depositado pela mariposa no tojo, as larvas migram para os novos brotos em crescimento onde tecem tubos sedosos para alimentar-se dos brotos, causando danos à planta. Cada larva pode destruir mais de cinco brotos. Após cinco ou seis semanas alimentando-se, as larvas encasulam e os novos adultos (mariposas) emergem aproximadamente um mês após. Agem apenas nas estações quentes do ano, passando o inverno em hibernação.

Toda ação de controle químico requer uso de equipamento adequado e material de segurança, como luvas e máscara. Seguir sempre as instruções do fabricante e proceder à devolução da embalagem.

Referências
CORRÊA, M. P.; Dicionário das Plantas Úteis do Brasil e das Exóticas Cultivadas. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1984. Vol. VI; p. 262.
Environment Waikato Regional Council –http://www.ew.govt.nz/ourenvironment/pests/plants/gorse.htm
HOLM, L, J.; DOLL, E.; HOLM, J. Pancho; HERBERGER, J.. World Weeds. John Wiley and Sons, Inc. Pp. 880-888. 1997.
HOSHOVSKY, M. Element Stewardship Abstract for Ulex europaeus Gorse. (TNC-ESA) The Nature Conservancy. Arlington, VA. 1989.
MACCARTER, L.E.; GAYNOR, D.L. Gorse: a subject for biological control in New Zealand. New Zealand J. Exp. Ag. 8: 321-330. 1980.
MANAAKI WHENUA LANDCARE RESEARCH. The biological control of weeds book – a New Zealand Guide. New Zealand: Te Whakapau Taru, 1996-2002.
ZABKIEWICZ, J.A.; The ecology of gorse and its relevance to New Zealand forestry. In: Chavazze, 1976, p. 63-70. 1976.

Fact sheets provided by The Horus Institute for Environmental Conservation and Development (Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental)





Updated January 2005
©The Nature Conservancy, 2002